I'm the best. Fuck the rest.

Era um, era dois, era cem. Era um monte de gente e, para Ricardo José Neis, ninguém. Para ele, na direção de seu Golf preto, na Rua José do Patrocínio, Cidade Baixa, em Porto Alegre, na última sexta-feira, as mais de 100 pessoas do grupo Massa Crítica que protestavam pacificamente por espaço para ciclistas, eram simplesmente isto. Ninguém.

Impaciente com os ciclistas de todas as idades que tornavam o trânsito mais lento no comecinho da noite, o funcionário do Banco Central Ricardo José Neis buzinou uma vez, duas, três. E na próxima, não buzinou mais. Simplesmente arremeteu seu Golf preto contra o grupo, fazendo voar ciclistas para todos os lados e ferindo pelo menos 10 deles, igual a filme de ação de Hollywood. Só que com sangue de verdade, osso quebrado de verdade, choro de verdade, pavor de verdade, estupefação de verdade.

O que dizer de um homem que faz isso? Que é um animal? É pouco. Que é um maluco? É pouco. Que é um doente? É pouco. Que é um filho da mãe? Aí, já podemos conversar.

Neis, que segundo a Polícia tem 47 anos, parece ser um legítimo filho da mãe. Ou, melhor dizendo, um legítimo filhinho da mamãe. Você sabe: filhinho da mamãe não pode ser contrariado, filhinho da mamãe quando quer, quer agora e nem um minuto depois, filhinho da mamãe se joga no chão e dá socos, filhinho da mamãe grita eu quero porque quero e enfia o pé no acelerador.

Um dos manifestantes declarou ao Terra que havia pedido calma ao motorista, alertando-o de que havia inclusive crianças entre os ciclistas. Ao que o irracional simplesmente alegou pressa. Pressa? Como todo garoto mimado, ele não deve gostar de esperar. Como todo garoto que nunca ouve não, ele não deve lidar bem com a negativa.

Porto Alegre está cheia de filhinhos da mamãe no trânsito, que costuram nas ruas de um lado pro outro, que põem a vida alheia em risco, que nos oprimem com suas camionetas gigantes e com seus sons em volume altíssimo, que estacionam em fila dupla, que literalmente passam por cima de nós, fisica e moralmente, nos humilhando e nos assassinando com sua baba infantilóide de meninos malcriados, baldosos, mimados, criados acreditando que o mundo só existia por causa deles, que tudo girava ao seu redor e que o outro está ali apenas para o servir, aplacar a sua sede, sua fome, seu desejo.

Meu deus do céu, o medo que certos pais têm de dizer não é uma coisa que me deixa pasma. Não. Três letrinhas. Tão valiosas quanto sim. Mas boa parte dos pais de hoje não consegue. O não parece anticonstitucionalissimamente. Trava a língua. E eles não conseguem dizer. Cuidado. Criança que nunca escuta não, de pequena, depois pode virar monstro assim, que nem essezinho ali, pouquidão de pessoa.

Arreda, doença urbana!

Tomara que esse tal seja punido. E vá para a cadeia e receba as más-vindas dos seus colegas de quarto. Ali talvez ele entenda mais didaticamente que os outros não são personagens de videogame.
( Graça Craidy)
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4 comentários:

  1. Rogério Rodrigues Espm escreveu:
    Respeito, amor e confiança: Atributos essênciais a qualquer tipo de relacionamento humano. Para essa "pessoa" faltou todos.

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  2. Vicente Almeida Corbellini escreveu:
    faltou esses e muito mais. no fim de tudo tenho pena desse cara que fez isso. vida pobre desse elemento, pobre de alma.

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  3. Paulo Vilela

    *

    Paulo VIlela escreveu:

    Sobre seu artigo, lá não consigo mesmo escrever. Haja compreensão e tolerância. Haja Justiça. Haja hospício e prisão, moça! H.Bosh disse que pintava o que via. Como um raio-x aquelas coisas horríveis era o que ele enxergava. Até alma enlevada de uma C.Lispector, deixou isso "Se eu fosse eu, se eu fosse eu mesma ninguém me reconheceria..." Imagine o que passa na cabeça de um mimado que acha que pode tudo. Penso que se víssemos o lado B da maioria nem sairíamos mais na rua. Muito bom, abs. Paulo

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