Arte ou bla-bla-blá?

O impagável Tom Wolfe, eterno mestre do New Journalism, em seu livro A PALAVRA PINTADA (Rocco, 1975), descreve com ironia e fatos e nomes a derrocada fatal da pintura no século XX.

Para Wolfe, por graça e ação de três críticos de arte americanos, Greenberg, Rosenberg e Steinberg, a pintura terminou cedendo seu lugar à Teoria, que acabou por se tornar - ela própria, a Palavra - mais importante, mais Arte que a própria Arte. A tal Palavra Pintada que dá nome ao livro.

No decorrer da leitura, o autor percorre os vários movimentos da arte nos Estados Unidos, em uma ação paralela que vai banindo da tela detalhe por detalhe, tudo o que se refere à pintura dos séculos anteriores, até fazer desaparecer, por fim, a própria tela e a própria pintura, com " o solvente universal da Palavra".

E nesse apanhado, ele repassa as palavras de ordem que comandaram esse desmonte da arte, como "superfície plana e fuliginosa", "arte de ação", " toda arte versa sobre arte" e " toda obra profundamente original parece feia a princípio" etc.

Quando o movimento da arte chega à etapa chamada Minimalismo, Wolfe joga a toalha e, na página 117, reconhece a derrota:
" E, finalmente, ali estava! Nada de realismo, nada de representação de objetos, nada de linhas, cores, formas e contornos, nada de pigmentos, nada de pinceladas, nada de evocações, nada de molduras, paredes, galerias, museus, nada de se torturar diante da face angustiada da deusa da superfície plana, nada de plateia, apenas um 'recebedor', que pode ou não ser uma pessoa, ou pode ou não estar presente, nada de ego projetado, apenas ' o artista', na terceira pessoa, que pode ser qualquer um ou ninguém, pois nada se exige dele, nadinha, nem mesmo que exista, pois isso se perdeu no modo subjuntivo - e naquele momento de abdicação absolutamente desapaixonada, de desaparecimento desinteressado, a Arte fez o seu voo final (...) e saiu pelo outro lado sob a forma de Teoria da Arte".


E foi assim que a arte virou blá-blá-blá. ( Graca Craidy)
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