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Compre, compre, compre. |
Não, meu velho. Não é só porque você não é mais aquele homem com quem me iludi nos anos 50. É porque você não é mais humano, Noel.
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Beba, beba, beba. |
E ainda tinha gente que ia sentar no seu colo e fazer gugu-dadá presente? Fala sério! Contar segredos de liquidificador no seu ouvido peludo em troca de mercadorias? E você com aquela cara de Papai Noel sem saco só no din-don, enfiado até as orelhas em compromissos sempre apenas e tão somente financeiros? Tô fora, cara. Pode riscar ali o meu nome do seu I-phone.
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Isso é que não é! |
Você é feito aquelas aves usurpadoras de ninho que aproveitam que o dono foi dar uma voadinha e se instalam, Noel. Você sentou a sua bunda gorda na cadeira delicada e modesta de um menino chamado Jesus. E de lá não mais saiu. O aniversário era dele, a festa era dele, o oba-oba era pra ele, mas depois que você enfiou esse seu corpanzil no meio, o garoto foi cada vez mais sendo sufocado por sua presença tonitroante e já quase ninguém mais lembra do guri. Je...o quê?
Nossa Senhora é Lady Gaga e São José é o Michel Teló. Ai, se eu te pego, Noel! E os anjinhos que antigamente cantavam no presépio se transformaram em um coro de Simones tautológicas nos atormentando em todos os alto-falantes com Então é Natal. E não vou nem falar do nojo que peguei de Jingobéus.
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100% fake. |
Por tudo isso, Noel, a felicidade do Natal virou essa coisa rivotrílica prozaquenta, ansiosa, deprimente, nervosa, estressante, endividante, com o mesmo feitio fake coca-cola que inventou você: é um líquido preto sobre as nossas cabeças, nos obrigando todos a sermos felizes de mentira.
Não, não e não. Tô fora. Noel na minha vida, agora, só o Rosa.
( Graça Craidy)
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