Aviso aos consumidores: a vida tem prazo de validade.


 Você que anda vestida sempre na última moda, esbanjando grifes dos pés à cabeça, que troca de carro todo ano, que carrega a carteira recheada de cartões de crédito, que tem os armários soterrados de roupas e sapatos, que vive compulsivamente de dieta para atender a um padrão alheio de beleza, que se lambuza de cremes dia e noite para jamais envelhecer, que sonha com uma lipo de corpo inteiro e uma piscina como a do tio Patinhas, que acha o verbo comprar infinitamente mais interessante que verbos como rir, amar, ler, curtir, escutar, entender, trocar, perdoar, confraternizar, prosear, relevar, tenho uma péssima notícia para você.

Você pensa que é livre, mas não passa de refém inconsciente de uma grande, sofisticada, maquiavélica e bem-estruturada arapuca chamada sociedade de consumo, que conseguiu convencer todo mundo da mais bizarra inversão de valores: ter e parecer é muito mais bacana que ser.

Você pensa que está vivendo, mas - preste atenção! - você só está con-su-min-do. Você pensa que está tendo o melhor da vida, mas, na verdade, você só está acumulando bens materiais e ajudando a roda da produção insaciável a girar mais rápido, para alimentar os gordos bolsos dos donos do consumo.  
                                    
Dentro de você, lá no fundo, continua cada vez maior aquele buraco que nunca se nutre, porque o prazer de viver, mesmo, não se alimenta de coisas materiais, mas de coisas do espírito, do coração.

O prazer de viver, mesmo, não custa caro.

E não caia na esparrela de acreditar - como insiste o discurso publicitário em seu eterno canto de sereia - que o amor brota mais vivo dentro de um jeans último modelo, que a melhor gargalhada vem de uma taça de champagne francesa, que o sexo mais gostoso só acontece se você estiver usando aquele perfume caríssimo, que a garota só vai reparar nos seus olhos se você estiver atrás de um volante zero km.

Recuse-se a pagar esse mico de otário! Amor é amor. Riso é riso. Sexo é sexo. Amizade é amizade. E não arremedos de amor, riso, sexo e amizade disfarçados de produtos.

Tenho percebido nos últimos tempos,  principalmente nos jovens, uma infelicidade crescente e profunda com não poder consumir toda a quinquilharada do que é anunciado, incensado, impingido, professado como artigo de primeiríssima necessidade para ser feliz.

Me espanta e me entristece ver que essa exacerbação do consumo tenha deformado as idéias e os valores das nossas crianças, a tal ponto que hoje em dia você corre o risco de ver seu adolescente jogar na sua cara que se você não tem dinheiro para comprar isso, aquilo e aquilo outro, não deveria ter tido filhos.

Piraram todos ou eu é que parei no tempo?

Está na hora de cair em si e começar a levar uma vida mais simples, menos consumista, mais em paz, mais compartilhada, resgatando o valor de viver de verdade no lugar de acumular, acumular, acumular.

Ou será que as pessoas pensam, querido leitor, que com toda essa conversa de consumo pra boy dormir, a morte foi sumariamente suprimida do menu? (Graça Craidy)

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5 comentários:

  1. Graça,você esta em um novo tempo.Quase todos piraram e só irão encontrar esse novo tempo daqui uns dez anos,para o bem de todos.Bj.

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  2. Adriana Gragnani escreveu:

    E a Graça Craidy continua com sua aulas de sociologia do consumo...

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  3. Lu Martins E Silva escreveu:

    VALE A PENA LER ESTE TEXTO, MT REAL E BEM ESCRITO....

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  4. Gracinha, o caixão deles será Armani...kkkk
    Ivan

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