Acabo de assistir ao último comercial da coca-cola no You Tube e preciso urgente de um plasil.
Os irresponsáveis foram pra dentro de uma sala de aula cheia de crianças que ficam cantando uma musiquinha feliz enquanto letreiros nos contam só boas notícias.
As notícias são todas meio fake, meio pífias, meio inconfrontáveis. Tipo: pra cada tanque que se fabrica no mundo, há X mil bichinhos de pelúcia fabricados. Pra cada muro que ser ergue, X mil pessoas põem capachos de boas-vindas em suas portas. Pra cada bolsa de valores que despenca existem dez novas versões de What a wonderful world. Pra cada pessoa corrupta há 800 doando sangue. Pra cada cientista criando uma arma existem 10 mil mães fazendo doces. A palavra amor tem muito mais resultados no Google que a palavra medo, blá, blá, blá.
E a gente que está assistindo fica ali, de campana, só esperando. Então, vem o golpe: pra cada arma que se vende, 20 mil pessoas partilham uma coca-cola. Ah! Por tudo isso, há razões para crer em um mundo melhor. Ah! 125 anos abrindo a felicidade. Ah!
Meus sais de fruta, por favor! Lá vem eles de novo com essa história de felicidade.
Faz tempo já que ando indignada com essa apropriação indébita, cínica e caradura da coca-cola, da categoria "felicidade". Não sei se você percebeu, mas, de uns tempos pra cá, a coca-cola deu de se autodenominar "felicidade". Começa sempre com uma conversinha mole boazinha de quem entende você, seus sonhos, seus desejos perepepê perepepê perepepê e acaba sempre em uma conclusão vulgar, barata e oca de "abra a felicidade, abra uma coca-cola".
Ora, vão tomar vergonha na cara! Fe-li-ci-da-de? Fala sério, marqueteiros da coca-cola...Vocês têm a cara de pau de chamar uma garrafa de um xarope preto esquisito de suspeita fórmula secreta cheio de acidulantes, espessantes, tonalizantes e sódios e outras mil porcarias viciantes, de felicidade? Vocês têm a coragem de vir a público com essa conversa pra boi dormir de abra-a-felicidade e nem ficam vermelhos?
Presumo que antes de virem encher nossos olhos e ouvidos com essa prosa pobre e equivocada, vocês gastaram meses pesquisando o que dizer, auscultando os mercados, adaptando os approaches às línguas locais etc etc etc. Tudo aquilo que quem opera em publicidade sabe muito bem que antecede a ação de grandes contas. Tanto trabalho pra vir depois nos aviltar com esse nojo de "abra uma coca, abra a felicidade?". Quer dizer que não teve nenhum sujeito menos alucinado na reunião de marketing que questionasse esse discurso devil-mental, alertando: - guys, acho que dessa vez fomos longe demais?
Me pergunto quando foi que nós consumidores do terceiro milênio concedemos a fabricantes hegemônicos globais como a coca-cola o direito de transformar nossas vidas em uma grande e obsoleta mercadoria? Quando foi que demos a chance a um bando de marqueteiros e publicitários inconsequentes e sem noção de ridículo achar que podiam despejar essa bobagem goela abaixo dos nossos jovens e crianças, como se fosse uma notícia fantástica? Como se a felicidade viesse em garrafa. Como se a felicidade fosse comprável. Como se alguém pudesse ser o detentor mundial dela e a pudesse revender mundo afora, com todos os copirraites.
Por mim, podem morrer abraçados à essa pretensa felicidade. Arreda! E nem vem de abra-a-felicidade pro meu lado, que eu tenho corpo fechado contra coca-cola. Me criei tomando limonada, vitamina C na veia, beibe.
Foto: C.F.
SE VOCE GOSTOU DESTE POST, TALVEZ SE INTERESSE POR ESTE AQUI.
Os irresponsáveis foram pra dentro de uma sala de aula cheia de crianças que ficam cantando uma musiquinha feliz enquanto letreiros nos contam só boas notícias.
As notícias são todas meio fake, meio pífias, meio inconfrontáveis. Tipo: pra cada tanque que se fabrica no mundo, há X mil bichinhos de pelúcia fabricados. Pra cada muro que ser ergue, X mil pessoas põem capachos de boas-vindas em suas portas. Pra cada bolsa de valores que despenca existem dez novas versões de What a wonderful world. Pra cada pessoa corrupta há 800 doando sangue. Pra cada cientista criando uma arma existem 10 mil mães fazendo doces. A palavra amor tem muito mais resultados no Google que a palavra medo, blá, blá, blá.
E a gente que está assistindo fica ali, de campana, só esperando. Então, vem o golpe: pra cada arma que se vende, 20 mil pessoas partilham uma coca-cola. Ah! Por tudo isso, há razões para crer em um mundo melhor. Ah! 125 anos abrindo a felicidade. Ah!
Meus sais de fruta, por favor! Lá vem eles de novo com essa história de felicidade.
Faz tempo já que ando indignada com essa apropriação indébita, cínica e caradura da coca-cola, da categoria "felicidade". Não sei se você percebeu, mas, de uns tempos pra cá, a coca-cola deu de se autodenominar "felicidade". Começa sempre com uma conversinha mole boazinha de quem entende você, seus sonhos, seus desejos perepepê perepepê perepepê e acaba sempre em uma conclusão vulgar, barata e oca de "abra a felicidade, abra uma coca-cola".
Ora, vão tomar vergonha na cara! Fe-li-ci-da-de? Fala sério, marqueteiros da coca-cola...Vocês têm a cara de pau de chamar uma garrafa de um xarope preto esquisito de suspeita fórmula secreta cheio de acidulantes, espessantes, tonalizantes e sódios e outras mil porcarias viciantes, de felicidade? Vocês têm a coragem de vir a público com essa conversa pra boi dormir de abra-a-felicidade e nem ficam vermelhos?
Presumo que antes de virem encher nossos olhos e ouvidos com essa prosa pobre e equivocada, vocês gastaram meses pesquisando o que dizer, auscultando os mercados, adaptando os approaches às línguas locais etc etc etc. Tudo aquilo que quem opera em publicidade sabe muito bem que antecede a ação de grandes contas. Tanto trabalho pra vir depois nos aviltar com esse nojo de "abra uma coca, abra a felicidade?". Quer dizer que não teve nenhum sujeito menos alucinado na reunião de marketing que questionasse esse discurso devil-mental, alertando: - guys, acho que dessa vez fomos longe demais?
Me pergunto quando foi que nós consumidores do terceiro milênio concedemos a fabricantes hegemônicos globais como a coca-cola o direito de transformar nossas vidas em uma grande e obsoleta mercadoria? Quando foi que demos a chance a um bando de marqueteiros e publicitários inconsequentes e sem noção de ridículo achar que podiam despejar essa bobagem goela abaixo dos nossos jovens e crianças, como se fosse uma notícia fantástica? Como se a felicidade viesse em garrafa. Como se a felicidade fosse comprável. Como se alguém pudesse ser o detentor mundial dela e a pudesse revender mundo afora, com todos os copirraites.
Por mim, podem morrer abraçados à essa pretensa felicidade. Arreda! E nem vem de abra-a-felicidade pro meu lado, que eu tenho corpo fechado contra coca-cola. Me criei tomando limonada, vitamina C na veia, beibe.
Foto: C.F.
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